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sábado, 7 de dezembro de 2013

Dezembro

 
"Quem é você?" Nenhuma resposta.
 
Repito a pergunta, em voz ainda mais forte: "Dezembro, quem é você?" Nenhuma resposta novamente.
 
De pronto, ao longe, ouço um burburinho. Não o reconheço. "O que será que estão falando? - penso em voz alta".  Ah, consigo entender! Será que consigo mesmo?
 
Ai que confusão!!!!! As informações estão chegando de maneira desencontrada!!!
 
Com isso, descubro quem é dezembro. Um mês com os trinta e um dias e recheado com o final do ano letivo, com o feriado do Natal, com as compras de final de ano, com o décimo terceiro salário, com as confraternizações das empresas, com os amigos secretos e muito mais sabores que não conseguiria citá-los todos aqui, afinal, cada indivíduo tem os seus sabores especiais para este mês.
 
É um momento de correria. Sim, de correria e coloco a experiência que vivi hoje como exemplo disso.
 
Estava eu fazendo as compras da semana em um hipermercado renomado no horário de costume e noto o corre-corre das pessoas. Importante colocar que isso não é um fato corriqueiro e normal pois, opto por esse período para abastecer a geladeira e o armário de casa por não ter grande movimento e logo, conseguir observar o que coloco no carrinho com tranquilidade e certa atenção.
 
Era um tal de passa carrinho para cá, passa carrinho para lá, repositores de mercadorias frenéticos, empilhadeiras com aqueles sinalizadores ligados sonorizando os ardidos pi, pi, pi, pi , mulheres e homens passando com os benditos carrinhos e as incomodas cestinhas batendo  uns nos outros. Aff! Quem merece isso?
 
Por fim, consegui terminar minha labuta e ir ao caixa. Fila. Outro ponto incomum para o horário. Espera e espera. Olho para um lado, pessoas reclamando. Olho para o outro lado, pessoas carrancudas. Olho para a operadora de caixa que em seu rosto expressava um ar de "O que eu estou fazendo aqui!". Quase que eu me perguntei o que eu estava fazendo ali,  naquele momento e naquele lugar. Ainda bem que nem perdi tempo com essa questão pois a resposta seria: "Você está fazendo a sua rotina, mas, parece que as outras pessoas saíram fora da rotina delas".
 
Lembrei-me então do conselho de um amigo : "Em uma situação borbulhante, não entre no barulho". Acabei, por fim, dando risada dessa lembrança.
 
Passei no caixa, paguei as contas e fui ao estacionamento. Quando sai deste, rumo à minha casa, fiquei parada no trânsito, e admirei que fluiu rapidamente até chegar ao meu bairro, aliás, trafegar neste local, no meu bairro, ultimamente, está complicado. Muitos carros e pouca rua.....rs.
 
Após ter deixado as compras em casa fui para a segunda etapa do dia: aventurar-me a ir a uma farmácia de preços populares no bairro da Saúde. É claro e ainda óbvio que não fui de carro. É Dezembro, lembram? Dirigir até lá seria pedir para que o bichinho do estresse se instalasse em mim. Optei em ir para lá de trem e metrô. Realmente fora um acerto essa escolha.
 
Por ser um sábado, achei que seria mais calmo o movimento no transporte público. O que presenciei fora um vai e vem de pessoas atrelada a um ritmo presto. Esbarrões e reclamações, gomas de mascar sendo trituradas em grande velocidade, fisionomias preocupadas, ou seja, o bichinho da ansiedade andando solto, contaminando e contagiando pessoas e mais pessoas.
 
Mais uma vez, lembrei-me do conselho de meu amigo:"Em uma situação borbulhante, não entre no barulho". Dessa vez, não dei risada. Fiquei com receio de ser mal interpretada  e ainda ter alguém ralhando comigo por achar que estava rindo dela.
 
Rapidinho cheguei ao meu destino. Entrei na farmácia e enfrentei a fila. Sem problemas para mim, aliás, lido bem com a espera  para ser atendida, afinal, todos precisam ser atendidos e ninguém é diferente de ninguém. É justo esperar a sua vez.
 
O movimento na farmácia também estava frenético, mas tão complicado, tão complicado  que até os atendentes estavam mal-humorados. Fui atendida por uma gentil moça que mostrou-se bastante solícita. Comprei meus remédios e no caixa, fiquei pasma com a economia que fiz. Foram R$98,00 de diferença em relação ao estabelecimento onde os compro habitualmente e ainda, tive a oportunidade de passear.
 
Sobrevivi a mais uma investida do "barulho de Dezembro" e iniciei  a jornada de volta para casa. No metrô, presenciei uma situação deveras amedrontadora: estava ocorrendo uma briga entre dois homens dentro de um dos vagões. Sim, eles foram picados pelo bichinho do "barulho". Saí de lá o mais rápido que consegui e vi outra expressão na fisionomia das pessoas: medo e incredulidade.
 
Finalmente cheguei em minha casa, em meu santuário. Parei com tudo o que eu precisava fazer e meditei sobre tudo a experiência que vivi neste dia até este momento. A conclusão que cheguei fora esclarecedora de minha primeira pergunta, sobre quem era Dezembro.
 
Dezembro não é o estresse e a ansiedade. Dezembro não é o "bichinho do barulho". Dezembro não é isso minha gente!
 
Dezembro é um mês lindo como todos os outros. É para ser vivido com boas energias. É para ser apreciado com dedicação. É para ser percorrido com grande alegria pela chegada do Menino Jesus em nossos lares e em nossos corações. É para ser brincado com harmonia.
 
Como diz o cantor Eugênio Jorge: "Desperta povo meu...".
 
Dezembro é um mês para despertar.
 
Desperte do estresse e da ansiedade. Desperte da depressão que te cerca. Desperte da opressão que te prende e viva Dezembro com a Paz!.

Bia Fernandes



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

CONVITE PARA UM DEBATE


O ser humano pode mudar através do amor?
 
 
Queridos leitores.
A proposta de Contos e Encantos do Cotidiano é a de mostrar a evolução de uma pessoa que vivia com os pés enraizados no mundo e no tempo Chronos e inicia a sua transformação para o mundo espiritualizado onde abre o seu coração para o amor.
Vocês acreditam que isso possa acontecer?
e dê a sua opinião neste debate.
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Você está disposto a sê-lo?


Ontem, numa entrevista com um aspirante a professor da empresa em que trabalho, conversei bastante e percebo nele um grande potencial. Quase no final, tive uma fala que me fez refletir muito e que resolvi dividi-la com vocês.

"Ser professor é esquecer-se de sua própria veste e vestir a veste do outro. 

É dar mais importância ao "ele" do que ao "eu" naquele momento em que estamos no processo ensino-aprendizagem, respeitando os seus gostos e valorizando suas capacidades e habilidades, não as minhas.

É o poder servir e não se preocupar com ser servido, ficando feliz e pleno com isso.

Ser professor é desprover-se do seu ego e colocar-se a  disposição do outro seja ele criança, adolescente, adulto ou  melhor idade. 

É ter a humildade de dizer ao seu aluno "estou aqui, ao seu lado, para te ajudar" mas, sem a soberba por saber mais do que ele".
....

No final eu perguntei ao aspirante: "Você está pronto para isso?"

Repito a pergunta a mim mesma e a todos os que ensinam o que quer que seja ao seu próximo, afinal, isso serve para todos aqueles que estão vivos ou mortos, pois, mesmo em mortalha ensinamos  algo a alguém..."Você está pronto para isso?"


Bia Fernandes

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Triste dia


Não consigo entender as pessoas! Nunca estão contentes com nada, e, quando estão, não sabem porque estão e nem sequer dão valor à alegria.
Se você faz algo é porque você faz. Se você não faz é porque você não faz.
As pessoas não cumprem com os acordos e ainda, quando você as lembra sobre tal dizem que não combinaram nada. Muitas delas  se lembram que algo fora dito, mas não sabem o que, pois, simplesmente não prestaram atenção ou ela estava voltada para outro ponto.
O que está acontecendo com as pessoas? Estão se automatizando tanto que estão esquecendo  de tudo e, muito pior, de todos.
É, a cada dia que passa temos mais a certeza do que nossos avós diziam:
- Deixe tudo combinado sim mas o acordo deve estar fixado preto no branco para que não surjam dúvidas.
Prefiro pensar que este é somente um dia equivocado do calendário e que a melancolia é somente um  abrilhantador da poesia.


Bia Fernandes


quinta-feira, 25 de julho de 2013

A compulsão


Como  somente algumas pessoas sabem, tenho o costume de assistir a filmes pela manhã, mas entendam pela manhã como seis horas, e também, de escrever nesse período, e hoje, em um canal de televisão  por assinatura vi o filme : Os delírios de moda de Becky Bloom, que trata da história de uma jovem que é compulsiva por compras de roupas, bolsas e sapatos e que no final da trama entende que somente adquire coisas tentando encontrar nelas a sua satisfação pessoal.

Quem leu o livro Contos e Encantos do Cotidiano deve se lembrar do conto " O DESPOJAR" que cita uma jovem que compra, compra, compra e compra e nem sabe o que tem dentro do armário.

Infelizmente esta é uma realidade e, a compulsão é uma doença silenciosa.
Segundo o dicionário informal, COMPULSÃO  é a tendência à repetição, impulso ou sensação de estar sendo levado, irresistivelmente, a executar alguma ação irracional. (<http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/compuls%C3%A3o/10350>).

Há várias categorias de compulsão: a alimentar, por limpeza, por compras, por atenção, a desafiadora, a  bipolar, a sexual dentre outras. Na verdade, o ser compulsivo se desenvolve pelo não conhecimento de si próprio e de suas necessidades. A compulsão também é conhecida como "MANIAS". 

Muitos desenvolvem o TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo quando essa compulsão vai para seu estado de doença.  Coloco uma parte de uma pesquisa feita há tempos atrás, quando fazia uma monografia sobre TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade,  e que todos tem acesso fácil sobre o assunto:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.





O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou distúrbio obsessivo-compulsivo (DOC) é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos para a sociedade ou para a própria pessoa; normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene, organização, simetria, perfeição ou manias e "rituais" que são incontroláveis ou dificilmente controláveis.
O transtorno obsessivo-compulsivo é considerado o quarto diagnóstico psiquiátrico mais frequente na população.1 De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano 2020 o Transtorno Obsessivo-Compulsivo estará entre as dez causas mais importantes de comprometimento por doença.2 Além da interferência nas atividades, os sintomas obsessivo-compulsivos (SOC) causam incomodo e angústia aos pacientes e seus familiares.
Apesar de ter sido descrito há mais de um século,3 e dos vários estudos publicados até o momento, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo ainda é considerado um "enigma". Questões como a descoberta de possíveis fatores etiológicos, diversidade de sintomas e como respondem aos tratamentos continuam sendo um desafio para os pesquisadores.4
Estudos indicam que uma das dificuldades para encontrar essas respostas deve-se ao caráter heterogêneo do transtorno. Vários estudos têm apontado para a importância da identificação de subgrupos mais homogêneos de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Esta abordagem visa a buscar fenótipos mais específicos que possam dar pistas para a identificação dos mecanismos etiológicos da doença, incluindo genes de vulnerabilidade e, por fim, o estabelecimento de abordagens terapêuticas mais eficazes.5
Alguns subtipos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo têm sido propostos. Dentre eles, dois subtipos bastante estudados correspondem aos pacientes com início precoce dos Sintomas Obsessivo- Compulsivos.4 e o subtipo de Transtorno Obsessivo-Compulsivo associado à presença de tiques e/ou síndrome de Tourette (ST)6 7 Esses dois subgrupos de pacientes apresentam características clínicas, neurobiológicas, de neuroimagem, genéticas e de resposta aos tratamentos distintos e que os diferenciam de outros pacientes. É importante ressaltar também que esses dois subtipos apresentam características semelhantes, o que dificulta a interpretação de sua natureza, ou seja, torna-se difícil diferenciar se as características encontradas são devido ao início precoce dos Sintomas Obsessivo- Compulsivos ou à presença de tiques.Lavar as mãos constantemente caracteriza obsessão por higiene, um dos sintomas mais comuns do TOC.
Compulsão é um comportamento consciente e repetitivo, como contar, verificar ou evitar um pensamento que serve para anular uma obsessão. Outros exemplos de compulsão são o ato de lavar as mãos ou tomar banho repetidamente, conferir reiteradamente se esqueceu algo como uma torneira aberta ou a porta de casa sem trancar. Deve-se deixar claro porém que para que esses comportamentos sejam considerados compulsivos, devem ocorrer em uma frequência bem acima do necessário diante de qualquer padrão de avaliação.
Acomete 2 a 3% da população geral. A idade média de início costuma ser por volta dos 20 anos e acomete tanto homens como mulheres. Depressão Maior e Fobia Social podem acometer os pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo ao longo da vida. (<https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_obsessivo-compulsivo.)


A compulsão está presente em crianças, jovens, adultos e na Melhor Idade, porém, é muitas vezes, ignorada. É importante observar. O compulsivo não percebe o que faz e quando se dá conta disso vai para o fundo do poço se não tiver ajuda. 

Voltando ao filme,  a garota se afunda em dívidas no cartão de crédito por conta das compras excessivas. Remeto-me  novamente ao texto " O DESPOJAR". Será que é necessário todas as roupas e sapatos dentro daquele armário para que sejamos felizes? Será que a grande quantidade de "coisas" têm o poder de nos saciar tanto assim a ponto de nos endividarmos, de  engordarmos, de nos matarmos na academia, de desafiarmos os outros e a nós mesmos a ponto de colocarmos em risco as nossas vidas?

De maneira geral, as pessoas responderiam a este questionamento como "- Não, é claro que não". "- Eu? Eu me conheço bem e não corro esse risco!".
Quem responde dessa maneira são os mais propensos a sofre da famigerada compulsão, uma vez que não admitem que são humanos e podem, a qualquer momento, cair no conto da RECOMPENSA por algo que fizeram ou não fizeram. Se fizeram, compensam-se  por terem conseguido finalizar a tarefa ou afins e, se não fizeram, compensam-se pela frustração de não terem conseguido fazer a tarefa ou afins.

A palavra que se liga à COMPULSÃO, na maioria das vezes é a palavra FRUSTRAÇÃO.

Não me estenderei mais, já que este assunto é muito rico e nosso relógio nos obriga  aos compromissos diários.

Contudo, convido vocês, meus estimados amigos leitores a fazerem uma análise na fatura de seus cartões de crédito, em seus armários, em suas geladeiras, em suas garagens e em todos os lugares que guardamos as "coisas". Se encontrarem excesso de "coisas", verifiquem suas emoções. Sem querer, vocês podem se surpreender.

Bia Fernandes