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domingo, 13 de abril de 2014

A vida após os 50 anos


Conversando com uma pessoa muito quista por mim, eis que escutei  pérolas de sabedoria:

" - Sabe, passei a enxergar a vida de maneira bem diferente após os meus cinquenta anos. Vejo tudo com mais amor, com mais calma, sinto o descaso das pessoas por eu estar mais lenta, sinto a má vontade dos que me rodeiam, preciso de mais carinho e atenção, dou mais valor à minha família e apego-me mais a Deus...".

Quantas verdades ditas em uma única exclamação, em um desabafo... só o Senhor da Vida sabe o quanto me senti feliz por ter a oportunidade de conversar com ela.

Em filmes projetados nas telinhas e nas telonas são pintadas situações onde o carinho e os cuidados aos mais velhos  são contos de fadas, mas, infelizmente, a realidade é outra. Podemos contar, talvez nos dedos das mãos e dos pés, as vezes que presenciamos condições de respeito aos nossos idosos. Cito, por exemplo, um idoso no metrô ou num ônibus. Indivíduos mais novos sentam-se no assento reservado/prioritário e não saem quando chega um idoso, um deficiente ou uma grávida.

Pois bem, volto ao ápice deste texto.

A idade avança. O relógio não se faz amigo.

" - Quando a gente vai envelhecendo, começamos a pensar em quanto tempo nos resta nesta vida...".

Mais uma sábia verdade, porém, traço uma visão positiva de tudo isso. Para cada momento vivenciado neste nosso caminho há um significado. Uns vivem como se cada momento fosse único, outros como se fosse o último e eu, caros leitores, vivo cada momento como se fosse o primeiro.

Claro, cada minuto e cada piscar de olhos é único e cada cena captada por nossos olhos e guardada em nossa memória é única, contudo, coloco-as como se fossem as primeiras. Por que? Simples. Permeio meu caminho como se, cada dia, fosse o início. Estranho não é? Nascer todos os dias...Não existir passado e futuro...só o agora.

Aprendi com um Sensei que estar presente em cada momento por nós vivido é  a única maneira de estarmos felizes por inteiro.

A idade avança. O relógio é meu amigo.

Cada pequeno movimento do ponteiro dos segundos me faz mais plena. Amiga, amigo, estou aqui. Não importa a sua idade ou a minha. Envelhecer significa estar no caminho. Que possamos desfrutar o dia a dia que nos é proposto pelo Senhor com muita fé, alegria e otimismo, e se, as armadilhas do pessimismo aparecerem, olhe à sua volta. Há pessoas que estão ao seu lado e que te podem estender a mão e o coração.


Bia Fernandes

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Você está disposto a sê-lo?


Ontem, numa entrevista com um aspirante a professor da empresa em que trabalho, conversei bastante e percebo nele um grande potencial. Quase no final, tive uma fala que me fez refletir muito e que resolvi dividi-la com vocês.

"Ser professor é esquecer-se de sua própria veste e vestir a veste do outro. 

É dar mais importância ao "ele" do que ao "eu" naquele momento em que estamos no processo ensino-aprendizagem, respeitando os seus gostos e valorizando suas capacidades e habilidades, não as minhas.

É o poder servir e não se preocupar com ser servido, ficando feliz e pleno com isso.

Ser professor é desprover-se do seu ego e colocar-se a  disposição do outro seja ele criança, adolescente, adulto ou  melhor idade. 

É ter a humildade de dizer ao seu aluno "estou aqui, ao seu lado, para te ajudar" mas, sem a soberba por saber mais do que ele".
....

No final eu perguntei ao aspirante: "Você está pronto para isso?"

Repito a pergunta a mim mesma e a todos os que ensinam o que quer que seja ao seu próximo, afinal, isso serve para todos aqueles que estão vivos ou mortos, pois, mesmo em mortalha ensinamos  algo a alguém..."Você está pronto para isso?"


Bia Fernandes

terça-feira, 24 de abril de 2012

Só a nivelação das calçadas não adianta para a pessoa com necessidades especiais, sejam elas momentâneas ou permanentes!


Só a nivelação das calçadas não adianta para a pessoa com necessidades especiais, sejam elas momentâneas ou permanentes!

Quem vos afirma e confirma esse fato sou eu mesma, Bia Fernandes, acometida de uma lesão e posterior processo cirúrgico ortopédico, sendo acompanhada por minha amiga bengala nos últimos cinco meses e com limitações de movimentos.

A lei das calçadas tem como prima diminuir o impacto de obstáculos que oferecem riscos aos pedestres além de evitar o acúmulo de lixo e entulho jogado pelo próprio cidadão.

"De acordo com a nova lei, é preciso manter a calçada livre para que os pedestres possam circular sem dificuldade. Agora a área destinada para os pedestres não deve ter árvores, lixeiras e postes. Exatamente o que acontece na rua da empregada doméstica Maria Luisa Orlando." Disponível em:< http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/01/nova-lei-das-calcadas-gera-duvidas-em-sp.html> Acesso em 12 de abril de 2012.


"Nova lei As novas regras estabelecem que a responsabilidade pela construção, conservação, reforma e manutenção das calçadas, que antes era apenas do proprietário do imóvel, cabe também ao usuário (locatário) do local, seja ele comercial ou residencial." Disponível em:< http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/01/nova-lei-das-calcadas-gera-duvidas-em-sp.html> Acesso em 12 de abril de 2012.



Para tal feito, a Prefeitura do Município de São Paulo colocou a disposição de todos aqueles que queiram ver, uma cartilha do tipo "Modo de Fazer" juntamente com o valor das multas para os que não se adequarem aos padrões em seu site. Perfeito.

A questão que não me cala é  o por que se precisa chegar a tal ponto para que um ser humano possa caminhar com dignidade nas ruas?

Caros amigos, atrás desta, surgem outras perguntas tão importantes quanto.

  1. Por que nós, com necessidades especiais ou não temos que fazer malabarismos circenses para adentrarmos em locais públicos?
  2. Por que não há maior quantidade de vagas de estacionamento para os necessitados?
  3. Por que, sendo as vagas de estacionamento para pessoas necessitadas tão minguadas, não há um controle de quem pára nelas, pois, cansei de presenciar neste período que precisei utiliza-las, muitos não necessitados estacionando seus automóveis nelas?
  4. Por que os caixas preferenciais em supermercados e lojas em geral são os mais cheios de pessoas a serem atendidas sem fatores de necessidades especiais? Aqueles que realmente precisam vão aos caixas comuns dizendo que é mais rápido, pois, os "normais" invadiram esse espaço, simulando deficiência.
  5. Por que demora-se tanto a conseguir um laudo dos departamentos de trânsito para obter um selo no parabrisas sendo que toda a documentação e , a olhos vistos, há a real necessidade do tal?
  6. Por que um automóvel adaptado, de câmbio automático por exemplo, é mais oneroso do que um com câmbio manual?
  7. Por que, os serviços de reabilitação são tão caros para aqueles que precisam dele sendo que não os faz por luxo e sim por precisão?
  8. Por que um material ou remédio é tão caro?
Se continuarmos com a lista de questões chegaremos a milhões e provavelmente, leremos e refletiremos sobre as primeiras, mas, quando visualizassemos a lista completa, deixaríamos para lá. É mais fácil!


Precisei passar por esta situação  para que meus olhos se voltassem para esse lado da vida e do mundo.

O problema não é de ordem fictícia caros amigos. É pontual.

Somente quando uma lei é outorgada por alguém e faz com que  se coloque a mão no bolso é que se faz algo, e mesmo assim, burlam-se, não as leis, mas a qualidade da vida das pessoas.

O exemplo da lei das calçadas foi utilizada para explanar a respeito. Precisa-se de multas para o cidadão ter o direito de ir e vir com dignidade.

Quanto aos outros pontos que citei, quem irá multar os órgãos de trânsito, os médicos, os lojistas e etc?Quem vai multar o ser humano cidadão de suas atrocidades?

Não, não é assim que conseguiremos dignidade e humanidade para a pessoa humana.

Proponho uma pausa para que você se coloque no lugar de alguém que você conheça que passa por uma situação semelhante as que citei e ouça o que seu corpo ou sua mente falam...

Vitimismos a parte pois, quando se faz esta experiência ele aparece, notem que a situação está a cada dia mais crítica.

Proponho que reflitam sobre a ética e a moral e percebam que somente as duas não são suficientes para convivermos em nosso mundo e convido a colocarem, no mais alto posto desta lista de deveres e normas a seguir, o respeito ao seu próximo.

Ainda mais, convido a experimentarem, muito mais do que o respeito ao seu próximo, o amor a ele, pois, somente quem entende isso poderá fazer a diferença no hoje e, como consequência, no amanhã.

Bia Fernandes