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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

RELATO DE UMA SITUAÇÃO

Uma garota e sua terapeuta conversando via chat:

- Garota! Onde você está? Cadê você?

- Ola! Estou aqui. A Paz!

- E aí, quando nos encontraremos? Como você está?

- Espero que em breve eu vá até aí. Contudo, estou bem! Firme! Forte! Focada! Crescendo na Fé! Mas, sentindo falta das nossas conversas.

- Que maravilha que você está bem! A situação em que você se encontra é difícil. Glória a Deus!

- Posso te dizer que estou sentindo falta de várias coisas...mas, estou organizada como nunca, separando o joio do trigo e cuidando de mim.

- Que maravilha!

- Também estou cuidando do meu espírito e do meu coração. Estou feliz auxiliando as pessoas, mas, me respeitando. Estou entendendo meus limites e respeitando-o. O Meu Senhor me fortalece, na Sua Glória, em todos os momentos.

- Perfeito você respeitar os seus limites! Fico tão maravilhada... Esse nosso Deus é demais!

- Então...esse é o panorama que estou vivenciando.

- Verdade. Você está vivendo esse processo.

- Sim. O aprendizado neste momento é cuidar de mim para que eu possa cuidar do outro.

- Ótimo! Temos que dar graças por tudo. Todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus... Tudo tem um propósito é um tempo debaixo do céu. Que o Espírito Santo renove suas forças e te fortaleça.

- Amém! Assim seja!

Bia Fernandes

domingo, 21 de fevereiro de 2016




DISTORÇÃO

Ela está aí, aos nossos olhos.
Pura, nua e crua, a realidade nos é apresentada.
Na maioria das vezes, não temos coragem de encará-la.
Mascaramos a bendita com culpas e desculpas.
Usamos muletas, bengalas, andadores e todos os demais tipos de apoio.

Ela está ai, esperando que a enxerguemos.

Desviamos os olhos, os ouvidos, a boca e até mesmo, as narinas.
Enfileiramos motivos para fugirmos dela.
Tecemos teias para tentarmos ofuscá-la.

Ela está aí, gritando para ser vista.

As evidências são claras como a neve.
O reflexo é tão claro que nos ofusca a visão.
Agora, buscamos um tapa-olho.
As pálpebras sozinhas não conseguem se manter.
A realidade é tão clara que nos parece distorcida.

Ela está aí, e não é uma distorção.

Bia Fernandes




sexta-feira, 6 de março de 2015

Pais: impossível não ter medo da perda




Impossível não ter medo da perda.

Brotamos do amor de duas pessoas que se uniram por um motivo comum.

Iniciamos nossa caminhada no útero de nossa mãe e que nos fora apresentada através do alimento. O elo que nos une é forte.

Abrimos os olhos para o mundo externo nove meses depois. O que antes era somente a voz do papai que ouvíamos, virou algo material.

Compreendemos que, desde que deixamos o aconchego abdominal de nossa mãe, o leque de atenção que recebemos é maior do que nosso foco.Conhecemos o carinho da família, ou seja, dos irmãos, avós, tios, primos, compadres e dos amigos. Partimos do calor que nos envolvia para uma temperatura variada onde às vezes é quente demais ou frio petrificante.

Descobrimos através de nossas experiências que aprendemos com eles e com o amor que eles nos dão. Esse amor que, em grande porcentagem, é tão grande que nos é mostrado pelo cuidado que tiveram conosco, pela educação que nos deram, pelo caráter que nos ensinaram a desenvolver e pela cultura acadêmica que nos propuseram.

Crescemos, nos desenvolvemos e alguns se reproduziram estando eles, nossos pais, acompanhando nossa caminhada de camarote. Alguns deles, o camarote, é bem pertinho da nossa vida. Outros, bem afastados. O tempo passou.

Esse tempo todo passou e, olhando para a nossa própria vida, nós, os filhos, o fruto desse amor, não percebemos que o tempo passou para eles, nossos pais, também. Não tivemos tempo ou percepção de que nossos pais percorreram o caminho deles olhando para nós. A atenção deles estava voltada para a nossa vida, e certo dia, o desgaste dos anos nos apresenta nossos pais, heróis, destemidos e prontos para tudo no que diz respeito a nós, filhos, como seres humanos frágeis.

É um susto. Um baque. Observamos que a pintura realmente mudou durante esses anos e que, assim como nós, eles também mudaram.

Ao sinal da primeira dificuldade apresentada pelo envelhecimento nos desesperamos e depois nos recompomos. Aparecem a segunda, a terceira e por ai se vai e aprendemos que passamos de seres cuidados para cuidadores. Isso não significa que eles não possuem forças, autonomia, vontade própria e capacidades. Isso significa que o tempo começou a pesar sobre seus ombros e o que era feito com rapidez agora é feito com calma, o cognitivo está em perfeitas condições, porém mais lento e que os interesses mudaram.

Neste momento começa a aparecer o medo. Medo de que estejam dirigindo e sofram acidentes nesse transito insano, medo dos tropeços em tapetes e degraus, medo de serem atropelados mesmo na faixa de pedestres, medo, medo, medo.

Na verdade, o maior medo é o de não ter mais tempo para estar com eles. Medo de não dar tempo de recuperar o tempo perdido no momento que estamos mais preocupados com nossa formação acadêmica, com nossa formação financeira e nossa visão unilateral.
Sendo mais incisiva, o grande medo é o da perda, de nos vermos sozinhos mesmo estando acompanhados por todos a nossa volta. Medo de não termos mais nosso arrimo, nosso esteio. Medo de não termos mais quem nos realmente suporta.

Medito a respeito disto agora, que compartilho com vocês, em prol da esperança de podermos viver cada dia com nossos pais de modo a não perdermos essa oportunidade.

Vivo isso a cada dia e percebo que ainda é pouco. Proponho que observem a vida intensamente e aproveitem cada minuto que tiverem com seus pais. Façam o possível e o impossível para tê-los a sua volta e você em volta deles. Lembre-se que eles te colocaram neste mundo. Sem eles você não estaria aqui.
Ame-os com amor ágape e philos e tenham compaixão com eles e com você. O medo da perda acontecerá de qualquer maneira. O que fará a diferença é o quanto você conseguiu ser feliz e faze-los felizes.

Bia Fernandes