"Somente se pode falar na pureza da alma se ela realmente for alva".
Caso não seja assim, trata-se de demagogia e estorinhas, criadas para a persuasão.
A alma límpida não se corrompe. Não se deixa persuadir pelas coisas infectadas que vivem no mundo, por mais que ele, o mundo, tente. Como diz Oscar Wilde, in 'De Profundis':
"Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma? As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber. Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?"
Ninguém conhece a alma de ninguém e a corrida maior que um ser humano pode percorrer é a do conhecimento de sua própria alma, de seu próprio anseio.
Muitas vezes corre-se atrás do anseio alheio, fazendo o que o seu próximo deseja. Onde está a sua alma nesta situação? Nestes casos a satisfação é momentânea. Sua fundamentação é firmada nas rochas.
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Procuremos a alma alva e a satisfação real na real satisfação.
Bia Fernandes
(O texto na íntegra faz parte do segundo livro da autora)



